28 de março de 2018

Série Deserto - IV

      Deserto de Mil Estrelas
Sol abrasador-escaldante
Secura-suja-aridez
Longo horizonte fervilhante
Pele negra-dorida-crespa

Passos cansados-arrastados
Cabelos sujos-desgrenhados
Corpo deambulante, a imagem
Sombra, a companhia d'uma miragem

Noite de gelo e solidão
Apenas o céu para me acompanhar
Escuro d'um breu e imensidão
De estrelas lindas a brilhar

Insisto para elas me acompanharem
Nesta jornada de tanta dor
Tão bem sabem elas quanto eu
Aqui a vida é dura e sem amor

Nunca me esqueço delas
Alento-consolo, meu alimento
Sua luz me mantém de pé
Olhar pró céu renova a minha fé

Penas duras as deste lugar
Sofrimento-abandono num esgar
No meu peito carrego esta luz
Que suaviza as penas de qualquer cruz

Cristina, 10 de Março de 2018

Série Deserto - III

           O Oásis e o Jardim
A maravilha de um oásis
Em pleno deserto desolador
Suas águas são vida
Dão-me alento e calor

Quanta vida em redor!
Daquela charca de água
Corre límpida alegria
Sensação viva de amor

Espelho do céu estrelado
Infinitas constelações
Calmaria ondulante
Da lua e suas feições

Sol a pique escaldante
Estala tudo em redor
Tudo seca, tudo quebra
Horizonte longo, desamor

É vida aquele jardim
Feito de água, feito de amor
Coração vivo enfeitado
De felicidade em esplendor

É apenas um pequeno oásis
Ladeado por um jardim
Em redor aquela imensidão
Areia e vento em frenesim

Cristina, 9 de Março de 2018

Série Deserto - II

Errática


Errática, ando eu...

Na ponta da seta
Segue o deserto
Um espaço aberto
Com livre acesso

Errática, ando eu...

Caminho certeiro
Único
Verdadeiro

Errática, ando eu...

Minh'alma padece
Com esta prece

Algo me diz
O que eu sempre quis

Parece loucura
Esta leve doçura

Trazida pelo vento
Na dor, unguento...

Errática, ando eu...

Na mochila esta luz
Suaviza as penas da cruz

Errática, ando eu...

Cristina, 14 de Dezembro de 2017

Série Deserto - I

            Torre do Poder


Árido como o solo de Marte
Nebuloso, fumo de árvore a arder
Seco como um chão a estalar
É a dor de desumanizar

Corre este vento no deserto
Que nada deixa antever
Passos cansados incertos
Asfixia no peito a crescer

Desumanos e dormentes, são zombies
São carentes-perdidos-esfarrapados
Mentes turbulentas-obstinadas
Cega-cegueira-destapada

E os coitados vivem lá
Tal lugar desolador
Pensam que são felizes
E apenas convivem com dor

É que a torre do poder
Tem mil-encantos-mil
Quanto mais alto se sobe
Mais intenso seu fascínio

Se vivem vidas assim
Dentro daquele lugar
Não tivesse eu um belo jardim
Também iria apenas ver...

...esse chão seco a estalar.

Cristina, 3 de Janeiro de 2018

27 de fevereiro de 2018

Sorrio

Tenho um sorriso lindo
E eu até sorrio pouco
Até sorrio pela metade
Sou um rio em vez do mar

E a nascente desse rio
De serras e vales a montante
Percorreu graníticos caminhos
Lá no fundo de gargantas

Granito áspero e inerte
Sob neve fria e cristalina
Quem me acolhe são os pinheiros
Sou um rio entre a neblina

Planícies a perder de vista
Alagadas em dia de temporal
Inundo os férteis campos
Eu sou um rio sem igual

Ás vezes rio de mim mesma
Outras tantas rio dos outros
São gargalhadas em cascata
Sou rio tímido nas lagoas

II

Rio, ria e límpidos riachos
Vamo-nos rir por essas corgas abaixo
Desde as nascentes até aos lagoachos
Risadas contentes de quem não se acha

E a neve que um dia já foi rio
Nem sabe que disso se esqueceu
Fica a enfeitar as montanhas
Como um castigo que mereceu

Vejo as nuvens passar branquinhas
Sob este maravilhoso céu infinito
Privilégio de quem mora perto do sol
E sabe que um dia foi apenas um riozito

Monções, avalanches, chuva miudinha
De tudo eu rio e ao rio vai parar
As barragens represam minhas risadas
Que têm pressa de chegar ao mar

Cristina, 27 de Fevereiro de 2018

Feliz Natal

I

Conta a tua história,
não a vivas!
É que a tua história
é deste mundo,
mas a vida não.

Escreve a tua história,
não a vivas!
Deixa-a agarrada ao papel
e livra-te dela.

Pinta a tua história
na mais bela das telas
e dá-lhe lindas cores.
E ela nunca mais será a mesma
quando olhares p'ra ela de novo.

II

Faz um pedestal
e coloca lá a tua história.

... como quem faz uma árvore de natal...

Enfeita-a de fitas sem cor,
de bolas sem brilho!
Tu és o deus menino!

O santo e a virgem
acompanhar-te-ão
durante todo o caminho.

Quem te adorar
também te vai acompanhar.

III

Toma a tua história
e faz dela teu mais belo presente!

Embrulha-a amorosamente
no papel mais lindo!
De seda de mil cores
Em cetim de mil tons

Enfeita-o com um grande laçarote
Da tua cor por inventar

Depois...

Contempla-o

Acaricia-o

Emociona-te

... e ama-o Sempre !

Cristina, 27 de Fevereiro de 2018

31 de dezembro de 2017

Pecados Capitais

1
Arrogância
 Superioridade da constatação:
 Só há um caminho
Nós sermos nós
Próprios

2
Ostentação
 Necessidade de exibição
Do que se tem
 dentro de nós,
 Orgulhosamente

3
Soberba
 Orgulho 
Exacerbado
 Nas nossas
Construções

4
Avareza
Apego 
Acirrado 
ao Ser

5
Luxúria
Desejo 
Ardente
 De se ter

6
Preguiça
 Doce
Deleite
  De nada fazer
...apenas Ser

7
Maldade
 Não viver
o vício do Ser.
Existir, apenas...

Cristina, 31 de Dezembro de 2017