10 de julho de 2015

Aqui, agora



















Nestes dias de céu branco
Vive-se aquele "igual"
Tudo é áspero e desnudo
Uma casca sobre o que é real

Nestes dias de céu branco
Tenho um pé em cada lado
Meus olhos virados p'ra cima
Fico, assim, imóvel, neste estado

Tenho sonhos, tenho ânsias
Minha vontade é um furacão
Um motor em funcionamento
Recolho-me e tudo é imensidão

Por um momento expludo
E consigo abraçar o mundo
Regresso ao meu caminho
Sorrio e sigo no curso do rio

Um prazer imenso em nada
Uma alegria só por existir
A simplicidade da natureza
contida no vôo d'um colibri

Árvores desnudas em fundo azul
Pedras musgadas, desordenadas
Vento passando vai-me abraçando
Agita as sombras e lembra-me o sol

Cresce-me ânsia no peito
Por descobrir o que eu não sei
Quero ir, mas quero ir a correr
P'ra chegar lá ao amanhecer

Depois...

Sorrio mais uma vez
E fico quieta de novo
O sol parado no céu
Tirou-me dos olhos este véu

Por fim...

Regresso aos meus pés
E abro meus olhos de novo
Acordo devagar, saio desta visão
Dou o primeiro passo

E vou caminhando por este chão...

Cristina, 18 de Fevereiro de 2015

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