7 de julho de 2015

Deixa-me, só

Parte integrante da instalação artística "Umbrella Sky Project" (Águeda)

Deixa-me, só.
Acaso sabes tu o que eu sou?

Observa uma tartaruga centenária
nadando, em pleno oceano, devagar,
tão devagar, quase imóvel...
Acaso acha-la perdida?

Deixa-me, só.
Acaso sabes tu o que eu sou?

Vê um bando de andorinhas
cantando, no meio do céu,
a anunciação da primavera.
Acaso achas sua alegria desnecessária?

Deixa-me, só.
Acaso sabes tu o que eu sou?

E a árvore imponente,
sozinha no meio do prado,
sabendo apenas da sucessão das estações.
Acaso desvalorizas sua quietude?

Deixa-me, só...

E um pedaço de relva?
Acaso acha-lo insignificante?
Poderá ele esquecer-se, algum dia,
de realizar sua fotossíntese?

E o sol...?

E a lua...?

E a galáxia...?

E o universo inteirinho...
Acaso acha-lo inconsciente
de sua infinitude?

Deixa-me, só.
Tu não sabes o que eu sou

Cristina, 23 de Março de 2015

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