19 de julho de 2015

Não digam...

Serra do Caramulo















Não digam...
a
Não digam que não está
à frente dos olhos de todos.
Não digam,
porque eu vejo à frente dos meus.

Quem ordena as árvores
para que nunca se esqueçam,
nunca, de a cada outono
pintar suas folhas de mil cores?

Não digam...

Não digam que não está
à frente dos olhos de todos.
Não digam,
porque eu vejo à frente dos meus.

Quem comanda o nascimento
de um bebé da barriga
de sua mãe? Que o ama.
Quem lhe diz quando chega a hora?

Não digam...

Não digam que não está
à frente dos olhos de todos.
Não digam,
porque eu vejo à frente dos meus.

E a subtileza agradável e doce
dos vales e das serras verdejantes?
Ao olhar o firmamento e sentindo
o seu vento nos batendo no rosto.

Não digam...

Não digam que não está
à frente dos olhos de todos.
Não digam,
porque eu vejo à frente dos meus.

E o frescor d'um mergulho no mar?

E a alegria do sol sorrindo gratuito?

E a brisa da tarde varrendo a areia,
num pôr-do-sol de inesquecível beleza?

Não digam...

Não digam que não está
à frente dos olhos de todos.
Não digam,
porque eu vejo à frente dos meus.

E à noite? Sob um céu estrelado?

Não digam...

Nem aos grilos cantando o verão.

Nem aos enamorados.

Cristina, 1 de Dezembro de 2014

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