13 de janeiro de 2016

Semente

Eu sou semente lançada à terra
Em plena noite da escuridão
Meu germe geme de dor
Meu sonho alcança a imensidão

E tomo banho nas tempestades
Em dias cinzentos sem fim
Monotonia monocromática
Arco-íris de cetim

E vivo confinada neste lugar
Presa e agarrada a este chão
Não tenho nem raízes
Mas sobra-me imaginação

Apenas o vento vem me segredar
Que podemos ir a todo o lugar
Sei que ele é um senhor
Não ia estar a in-ventar

...e em pleno céu descampado

Eu travo batalhas no meu peito
São de sangue sob a terra arada
Eu que tenho uma fé inabalável
E sonho c'uma seara dourada

Assim minhas raízes crescem
Debaixo dos meus pés doridos
E... feridos dos apertados grilhões
Dos desenganos e das paixões

Agora, à noite, já vejo a lua
E, então, ponho-me a questionar
Que estará ela a dizer
Na sua linguagem de brilhar

Tenho lindos passarinhos
Sempre perto de mim
Cantam em meus ramos
Tão bom! Sou feliz assim

E então, começo a enxergar
Vejo os homens lá em baixo
Eles não param de guerrear
Por paixão, engano, seja o que for!

Tudo serve para entreter
Seu desejo de vencer
E eu fico a tremer só de ver
Tal turbilhão de sofrer

Eu que sou apenas uma árvore
Nem a minha mãe conheço
Fui semente lançada à escuridão
Só sei ser feliz...enquanto cresço

Cristina, 15 de Outubro de 2015

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