27 de fevereiro de 2018

Sorrio





























Tenho um sorriso lindo
E eu até sorrio pouco
Até sorrio pela metade
Sou um rio em vez do mar

E a nascente desse rio
De serras e vales a montante
Percorreu graníticos caminhos
Lá no fundo de gargantas

Granito áspero e inerte
Sob neve fria e cristalina
Quem me acolhe são os pinheiros
Sou um rio entre a neblina

Planícies a perder de vista
Alagadas em dia de temporal
Inundo os férteis campos
Eu sou um rio sem igual

Ás vezes rio de mim mesma
Outras tantas rio dos outros
São gargalhadas em cascata
Sou rio tímido nas lagoas

II

Rio, ria e límpidos riachos
Vamo-nos rir por essas corgas abaixo
Desde as nascentes até aos lagoachos
Risadas contentes de quem não se acha

E a neve que um dia já foi rio
Nem sabe que disso se esqueceu
Fica a enfeitar as montanhas
Como um castigo que mereceu

Vejo as nuvens passar branquinhas
Sob este maravilhoso céu infinito
Privilégio de quem mora perto do sol
E sabe que um dia foi apenas um riozito

Monções, avalanches, chuva miudinha
De tudo eu rio e ao rio vai parar
As barragens represam minhas risadas
Que têm pressa de chegar ao mar

Cristina, 27 de Fevereiro de 2018

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