28 de março de 2018

Série Deserto - I

            Torre do Poder


Árido como o solo de Marte
Nebuloso, fumo de árvore a arder
Seco como um chão a estalar
É a dor de desumanizar

Corre este vento no deserto
Que nada deixa antever
Passos cansados incertos
Asfixia no peito a crescer

Desumanos e dormentes, são zombies
São carentes-perdidos-esfarrapados
Mentes turbulentas-obstinadas
Cega-cegueira-destapada

E os coitados vivem lá
Tal lugar desolador
Pensam que são felizes
E apenas convivem com dor

É que a torre do poder
Tem mil-encantos-mil
Quanto mais alto se sobe
Mais intenso seu fascínio

Se vivem vidas assim
Dentro daquele lugar
Não tivesse eu um belo jardim
Também iria apenas ver...

...esse chão seco a estalar.

Cristina, 3 de Janeiro de 2018

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