12 de maio de 2015

Cartas para o meu amor II

eu vou apaixonar-me

eu vou apaixonar-me
para sentir uma pequena fagulha
de felicidade inacreditável

eu vou apaixonar-me
para tomar o pulso
ao coração do universo

e quando essa paixão se esgotar
(porque uma paixão sempre se esgota)

eu vou apaixonar-me
 outra vez
para acender
 de novo
essa fagulha em mim

porque para mim
agora
é inacreditável
que exista tal fogo do amor

então
vou riscando o fósforo da paixão

eu
vou riscando o fósforo da paixão

em vez de dançar
ao ritmo do pulso
do coração do universo.

Cristina, 14 de Abril de 2015

Ao som de "Love me like you do"_Ellie Goulding

Cartas para o meu amor

O meu ideal de ti,
meu querido amor maior
é poder dizer que te amo
com todo o meu coração

(simples assim)

e quando vieres para mim
vem mas vem inteiro
que eu não sei completar-te

assim juntos podemos ser
um universo inteiro
infinito

e quando vieres para mim
vem mas vem liberto
que eu não sei libertar-te

assim juntos podemos ser
dois riachos
com encontro marcado no mar

meu querido amor maior

quando vieres para mim
só te peço
trás amor em teu coração

assim juntos podemos ser
mais que duas estrelas 
brilhando sozinhas

assim juntos podemos ser
um sol inteirinho
iluminando a imensidão
                    
Cristina, 4 de Novembro de 2014

Ao som de "Love is all"_Yanni

1 de maio de 2015

Fértil

Deixa esse terreno selvagem
Deixa esse terreno "colhido-a-monte"
Deixa esse terreno ao abandono
Deixa esse terreno virado p'ró céu

Que lhe chova em cima
Que lhe bata o sol
Que lhe doa o vento
Que lhe estale o chão

Não tenhas preocupação...

Não tenhas preocupação,
Porque lá, tem uma nascente,
De água cristalina, inesgotável.

Deixa...

Deixa a chuva inundar
Deixa o sol estalar
Deixa o vento varrer

Cristina, 5 de Novembro de 2014

"Maio maduro maio
quem te pintou
quem te quebrou o encanto
nunca te amou"
Zeca Afonso

20 de abril de 2015

A construção


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agora eu sei
posso dizer
porque eu o sinto

por ser tão verdade
como o sangue
que me corre nas veias

tudo o que escolhemos
para a nossa vida
é uma construção

Cristina, 10 de Setembro de 2014

3

Legenda: Imagens (1,2 e 3) do google

17 de abril de 2015

Abstrato 2 minutos

Fazes-me mossa

fazes-me uma mossa
igual à serra da estrela
profunda e gelada

fico parada
engulo em seco
e lembro-me do contrário
a felicidade
anseio por ela de novo
a minha bitola

fico nesta equação
sem solução
minha mão tremelica
tenho um achaque

dá-me dor de cabeça
meu pé tropeça
cai-me tudo ao chão

depois
vem a calmaria
estou numa pradaria
com cheiro de verão

searas douradas
sorriso aberto
a certeza da vida
tudo tem solução

engreno de novo
volto à minha condição
procuro procuro
sempre com alegria na mão

sobe-me uma coisa
e fico feliz
meu depósito está cheio
vou daqui até Paris

Cristina, 17 de Abril de 2015

"Há sempre pessoas prontas a entrar na nossa vida,
mas se não estivermos preparados para as receber,
elas não vão ficar"_Carolina Torres

14 de abril de 2015

O naúfrago

Imagem daqui

Dizes que encontraste a poesia,
mas não sabes o que fazer com ela.

Dás-me vontade de rir.

Ah! Como me pareces tão coitadinho!

Pareces-me tão coitadinho,
Que me fazes lembrar
As minhas próprias palavras,
De tão coitadinhas que são.

És um náufrago!

És um náufrago à deriva em alto-mar
Segurando-se apenas num destroço de madeira,
Mas julgando nele uma ilha.

Permite que te desengane,
Meu querido amigo.

Se tu, porventura, de verdade...

Sentisses o veludo de seu abraço,
Cheirasses seu hálito de jasmim,
Visses a alegria do seu sorriso,
E a olhasses nos olhos, de verdade.

Ficarias  tão enamorado,
Tão perdidamente apaixonado,
Que não haveria nada a fazer.

Cristina, 26 de Março de 2015

"A escrita é uma forma de terapia"_Carlão

2 de abril de 2015

A comandante

Sou a comandante d'um navio
Navego no mar e na escuridão
Junto com toda a tripulação
Sou a comandante d'um navio

Minha mão firme segura o leme
Meu olho fixo na escuridão
Minhas pernas "bambas" de medo
Olho p'ró céu faço minha oração

Agora vou do meu navio falar
Muitos apetrechos tem ele
O primeiro é a bandeira
Depois a caldeira que o faz andar

A bandeira nem sabia que lá estava
O combustível é doação
Tenho sorte por ter bons amigos
Entre a minha tripulação

Já há muito que navego
Sem em nenhum porto atracar
Até parece que não tem fim
Este oceano este mar

Tenho passado por algumas ilhotas
E minha âncora não lanço
Meus conselheiros asseguram
Não são lugares de confiança

Sou comandante sou tripulação
E até ratos trago no porão
Navego no mar e na escuridão
Junto com toda a tripulação

Do porto que deixei
Já não tenho lembrança
Resta-me uma espécie de confiança
Resta-me uma espécie de esperança

Que sentido este navio
O que é este mar
Porquê só escuridão
Bem sei, tenho que navegar

Afinal de contas...

Sou a comandante d'um navio
Só sei navegar no mar e na escuridão
Apenas me resta segurar no leme
Bem firme com a minha mão

Cristina, 25 de Novembro de 2014