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| Parte integrante da instalação artística "Umbrella Sky Project" (Águeda) |
Deixa-me, só.
Acaso sabes tu o que eu sou?
Observa uma tartaruga centenária
nadando, em pleno oceano, devagar,
tão devagar, quase imóvel...
Acaso acha-la perdida?
Deixa-me, só.
Acaso sabes tu o que eu sou?
Vê um bando de andorinhas
cantando, no meio do céu,
a anunciação da primavera.
Acaso achas sua alegria desnecessária?
Deixa-me, só.
Acaso sabes tu o que eu sou?
E a árvore imponente,
sozinha no meio do prado,
sabendo apenas da sucessão das estações.
Acaso desvalorizas sua quietude?
Deixa-me, só...
E um pedaço de relva?
Acaso acha-lo insignificante?
Poderá ele esquecer-se, algum dia,
de realizar sua fotossíntese?
E o sol...?
E a lua...?
E a galáxia...?
E o universo inteirinho...
Acaso acha-lo inconsciente
de sua infinitude?
Deixa-me, só.
Tu não sabes o que eu sou
Cristina, 23 de Março de 2015



