Vamos conversar,
Conversar,
Conversar...
Vamo-nos aproveitar das palavras
E espremer cada uma delas
Como se fossem laranjas.
Vamos rodeá-las de silêncio,
Para que cada uma delas
Seja um botão de rosa a abrir.
Vamos fazer um altar sagrado
Onde nossas palavras se casam
E onde o universo é a única testemunha...
E aquelas palavras mais espinhosas
Vamos coroá-las com frutas e flores.
Cristina, 8 de Maio de 2015
7 de outubro de 2015
14 de agosto de 2015
Aqui, agora II
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| Serra do Caramulo II |
Gosto de uma serra para olhar,
porque quando olho para o alto
sinto-me pequena, insignificante
perante a perfeição da natureza.
Carrego cá dentro um desejo.
Um abrigo das tempestades
e não, um abrigo nas tempestades.
Enfim, desejo descansar...
Árvores também, para contemplar,
sua diversidade, sua singularidade,
suas flores, seus frutos,
sua natural simplicidade.
E o céu acima da minha cabeça
p'ra nunca esquecer de perguntar:
porquê durante o dia só um sol
e há noite tantas estrelas a brilhar?
E quando o vento, meu amigo,
por mim passar ele vai-me abraçar,
seja numa suave carícia,
seja de rajada p'ra me balançar.
E meus olhos vou fechar,
meus punhos cerrar
e meu peito acalmar,
porque, de verdade, eu sei...
Eu sei...
Que o caminho é muito longo...
Tão longo que são vidas inteiras
e mais vidas inteiras.
Até agente, de verdade,
aprender a amar...
Cristina, 10 de Julho de 2015
Minhas paixões
Quem me dera
ser eu capaz
de te resistir
oh paixão visceral
uivo da lua cheia
faro do predador
veneno de cobra
convulsão de dor
terramoto-inundação
erupção vulcânica
tsunami
tsunami
vendaval-tufão
força da natureza
ritmo das estações
cordilheira dos Andes
chuva das Monções
dança do ventre
ciclo lunar
energia primitiva
origem-despertar
vem-afinal
já não quero resistir
afinal-agora
eu quero-te a ti
dança do ventre
ciclo lunar
energia primitiva
origem-despertar
vem-afinal
já não quero resistir
afinal-agora
eu quero-te a ti
"Coisa estranha, o desejo de certos prazeres é uma parte de minha dor"_Gibran Kahlil Gibran do livro "Areia e Espuma", Aforismos Selecionados
Cartas para o meu amor III
Penso em ti
e
ponho-me a pensar
ponho-me a pensar
...
não importa
de verdade
não importa mesmo
eu sei
mas
eu penso
...
eu sei
mas
eu penso
...
quando estou só
comigo mesma
contemplando a natureza
sinto uma amorosidade
uma bastança
uma gratidão
até
quando estou só
comigo mesma
ou partilhando
com amigos do peito
as investidas do escopro da vida
eu fecho meus olhos
eu fecho meus olhos
e sinto uma resignação
até
também
também
mas ainda assim
eu penso
eu penso em ti
nesse
um dia
um dia
qualquer
que eu esteja sentada
num penedo
à beira d'um riacho
escutando
as suas águas silenciosas
e tendo-te como companhia
eu
saberei
saberei
que temos muito em comum
nesse
outro dia
outro dia
qualquer
quando estivermos juntos
lado a lado
os dois
deitados na relva
à beira d'um rio
escutando
suas águas correndo
eu saberei
que somos amigos
mas no dia
que olharmos juntos
na mesma direcção
de mãos dadas
e virmos no mar
e no sol esplendoroso
esse oceano infinito
chamado amor
Aí eu saberei
saberei
que agente se ama
e
para qualquer onda
que se levante nesse mar
nós
estaremos juntos
lado a lado
de mãos dadas
é nisto que eu penso
quando penso em ti
...
é nisto que eu penso
quando penso em ti
...
6 de agosto de 2015
REC _ 1
SEMPRE
SEMPRE TE VOU ENXERGAR
SIMPLES
PORQUE TE AMO
E NO AMOR TUDO É CLARO
INFERNO
INFERNO É A ESCURIDÃO
SEMPRE TE IREI ESCUTAR
SIMPLES
PORQUE TE AMO
E NO AMOR CABEM TODAS AS PALAVRAS
INFERNO
INFERNO É SER MUDO E SURDO
SEMPRE VOU TER UM LUGAR P'RA TI
SIMPLES
PORQUE TE AMO
E NO AMOR CABEM TODOS OS LUGARES
INFERNO
INFERNO É NÃO AMAR
SEMPRE VIVEREI
SIMPLES
PORQUE EU AMO
E NO AMOR CABE A VERDADE
INFERNO
INFERNO É EXISTIR
APENAS
19 de julho de 2015
Não digam...
| Serra do Caramulo |
Não digam...
a
Não digam que não está
à frente dos olhos de todos.
Não digam,
porque eu vejo à frente dos meus.
Quem ordena as árvores
para que nunca se esqueçam,
nunca, de a cada outono
pintar suas folhas de mil cores?
Não digam...
Não digam que não está
à frente dos olhos de todos.
Não digam,
porque eu vejo à frente dos meus.
Quem comanda o nascimento
de um bebé da barriga
de sua mãe? Que o ama.
Quem lhe diz quando chega a hora?
Não digam...
Não digam que não está
à frente dos olhos de todos.
Não digam,
porque eu vejo à frente dos meus.
E a subtileza agradável e doce
dos vales e das serras verdejantes?
Ao olhar o firmamento e sentindo
o seu vento nos batendo no rosto.
Não digam...
Não digam que não está
à frente dos olhos de todos.
Não digam,
porque eu vejo à frente dos meus.
E o frescor d'um mergulho no mar?
E a alegria do sol sorrindo gratuito?
E a brisa da tarde varrendo a areia,
num pôr-do-sol de inesquecível beleza?
Não digam...
Não digam que não está
à frente dos olhos de todos.
Não digam,
porque eu vejo à frente dos meus.
E à noite? Sob um céu estrelado?
Não digam...
Nem aos grilos cantando o verão.
Nem aos enamorados.
Cristina, 1 de Dezembro de 2014
10 de julho de 2015
Aqui, agora
Nestes dias de céu branco
Vive-se aquele "igual"
Tudo é áspero e desnudo
Uma casca sobre o que é real
Nestes dias de céu branco
Tenho um pé em cada lado
Meus olhos virados p'ra cima
Fico, assim, imóvel, neste estado
Tenho sonhos, tenho ânsias
Minha vontade é um furacão
Um motor em funcionamento
Recolho-me e tudo é imensidão
Por um momento expludo
E consigo abraçar o mundo
Regresso ao meu caminho
Sorrio e sigo no curso do rio
Um prazer imenso em nada
Uma alegria só por existir
A simplicidade da natureza
contida no vôo d'um colibri
Árvores desnudas em fundo azul
Pedras musgadas, desordenadas
Vento passando vai-me abraçando
Agita as sombras e lembra-me o sol
Cresce-me ânsia no peito
Por descobrir o que eu não sei
Quero ir, mas quero ir a correr
P'ra chegar lá ao amanhecer
Depois...
Sorrio mais uma vez
E fico quieta de novo
O sol parado no céu
Tirou-me dos olhos este véu
Por fim...
Regresso aos meus pés
E abro meus olhos de novo
Acordo devagar, saio desta visão
Dou o primeiro passo
E vou caminhando por este chão...
Cristina, 18 de Fevereiro de 2015
Depois...
Sorrio mais uma vez
E fico quieta de novo
O sol parado no céu
Tirou-me dos olhos este véu
Por fim...
Regresso aos meus pés
E abro meus olhos de novo
Acordo devagar, saio desta visão
Dou o primeiro passo
E vou caminhando por este chão...
Cristina, 18 de Fevereiro de 2015
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